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Publicado em 21/09/2016

Atualidades

Moldes que imitam osso humano aceleram cirurgias de crânio e face

Material usado pelo Sobrapar há dois meses auxilia em simulações. Treinamento de médicos residentes também foi aprimorado com protótipo.

Molde de crânio com marcações para orientar cirurgião 


Moldes de crânios feitos em uma impressora 3D com nylon estão ajudando médicos a realizar cirurgias craniofaciais mais rápidas e de forma mais precisa. A técnica é usada em Campinas(SP) no Hospital Sobrapar Crânio e Face, referência no Brasil no tratamento de crianças e adolescentes com deformidades, e também aprimora o treinamento de médicos residentes.


O material é mais fino, pode ser esterilizado e tem textura e resistência muito mais parecidas com a do osso humano do que os materiais usados anteriormente. A agilidade com o uso dos moldes reduz o tempo das cirurgias em 30%.


O Instituto Biofabris, sediado na Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, está fornecendo há dois meses os novos moldes para a Sobrapar. O hospital tem parcerias com o Biofabris e o CTI Renato Archer para desenvolver materiais e tecnologias que modernizem o tratamento desses tipos de casos.


Essas novas técnicas e tecnologias, associadas a novos medicamentos, principalmente anestésicos, foram essenciais para a redução nas últimas décadas de quase dois terços no tempo das cirurgias.


“Atualmente, uma cirurgia dos casos mais complexos chega a durar nove horas. Mas antes elas duravam até 23 horas”, conta o cirurgião plástico Cássio Eduardo Raposo do Amaral, vice-presidente da Sobrapar.

Cirurgias mais rápidas
O professor André Luiz Jardini Munhoz, do Biofabris, diz que o uso das réplicas de crânios feitas com o nylon 15 ajudam a diminuir em 30% o tempo das cirurgias, o que beneficia tanto pacientes quanto médicos.


“O nylon 15 tem alta resistência mecânica e se assemelha ao osso. Nos últimos dois meses fizemos seis moldes para a Sobrapar”, diz Munhoz.


O Biofrabris é um instituto que funciona em laboratórios de diversas faculdades da Unicamp, atuando em diversas áreas. Além do Sobrapar, eles desenvolvem e fornecem moldes e próteses para o Hospital de Clínicas da Unicamp e outros hospitais do Brasil.

Simulação
Em média, são realizadas no Sobrapar 1,2 mil cirurgias por ano.  “Os moldes, por terem um custo alto, são utilizados somente nos casos mais complexos. São cerca de 20 por ano”, diz o médico.

Os novos modelos são feitos a partir de tomografias feitas nos pacientes que serão operados. Antes de iniciar a cirurgia, o médico visualiza e pode manipular o material que mostra exatamente como é o crânio do paciente. Assim, ele pode ver exatamente como deverá proceder e simular os procedimentos antes de iniciar a operação.

Esses moldes também podem ser utilizados na aprendizagem dos residentes. Durante o procedimento, que é extremamente complexo, é impossível para o cirurgião mostrar com detalhes e ensinar todas as técnicas aos residentes. Com os protótipos, eles podem aprender com mais tempo como são feitos os cortes, colocação de placas e parafusos.

Impressora 3D
A utilização do impressora 3D para produzir moldes e próteses já é usada pela Sobrapar desde o início dos anos 2000. A CTI Renato Archer desenvolveu um software que, a partir das imagens da tomografia, faz a reprodução na impressora, separando virtualmente o que é osso, cartilagens e tecidos.

Agora, com a parceria com a Biofabris, o material utilizado está sendo aprimorado para que os moldes e próteses fiquem cada vez mais sofisticados. A esperança é que, futuramente, também possam ser desenvolvidos materiais que simulem tecidos e cartilagens.

Sobrapar
O Hospital Sobrapar Crânio e Face é instituição privada, filantrópica, referência no país no tratamento de pacientes com deformidades craniofaciais congênitas ou adquiridas, como sequelas de traumas, tumores ou queimaduras.

Os pacientes são principalmente crianças e adolescentes, vindos de todo o país. O Hospital conta com equipe multidisciplinar que visa a reabilitação global do paciente e sua reintegração à sociedade como um cidadão ativo e participativo. Com 37 anos de existência, acumula mais de 300 mil atendimentos e 18 mil cirurgias.


g1.globo.com

Marcelo Andriotti