Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

Portal da Igreja do Evangelho Quadrangular

Publicado em 18/08/2016

Atualidades

Isaquias é bronze e se torna 5º brasileiro com 2 medalhas nos mesmos Jogos

Isaquias Queiroz, 22, parou de remar e jogou o barco à frente nos últimos metros da C1-200m, prova mais imprevisível da canoagem velocidade na Rio-2016. Ainda assim, ao olhar para o lado e ver onde estavam os rivais, bateu com o remo na água achando que havia perdido a chance de estar no pódio. Foram 40 segundos de apreensão até o telão anunciar a redenção: ele havia obtido o bronze na prova disputada nesta quinta-feira (18), na Lagoa Rodrigo de Freitas. Com isso, passou a ser apenas o quinto brasileiro na história a acumular duas medalhas em uma edição dos Jogos Olímpicos.

CANOAGEM

O telão da Lagoa Rodrigo de Freitas anunciou antes o nome do ucraniano Iurii Cheban, que fez a prova em 39s279 e conquistou o bicampeonato olímpico. Instantes depois, mostrou que Valentin Demyanenko, do Azerbaijão, havia feito 39s493 e ficado com a prata. E só então apareceu o nome de Isaquias (39s628), que comemorou com socos na água – a essa altura, o brasileiro já estava fora do barco.

“Os caras foram muito melhores, e quando eu cheguei tive de jogar o barco. Fiquei sem saber. Pensei que tinha perdido a medalha”, contou Isaquias depois da prova. “A saída foi boa, mas depois o barco não desenvolveu. Acabei me desequilibrando, e no final eu impus um ritmo muito forte. Quando senti que estava cansado, sabia que os outros estavam ainda mais. É ali que eu cresço, e eu acabei conseguindo a medalha nos últimos centímetros da prova”, completou o brasileiro.

A medalha foi a segunda do brasileiro, que já havia sido o segundo colocado na C1-1000m da Rio-2016 - primeira láurea do país na história da canoagem. Nenhum representante nacional coletava dois pódios em uma edição dos Jogos desde o nadador Cesar Cielo, em Pequim-2008 (ouro nos 50 m livre e bronze nos 100 m livre).

Antes deles, a lista de brasileiros com duas medalhas em uma edição olímpica tinha apenas o também nadador Gustavo Borges (prata nos 200 m livre e bronze nos 100 m livre em Atlanta-1996) e os atiradores Guilherme Paraense (ouro na pistola militar de 30 m e bronze por equipes na pistola livre 50 m na Antuérpia-1920) e Afrânio da Costa (prata na pistola livre de 50m e bronze por equipes na mesma prova de Paraense em 1920).

“É um feito histórico e uma satisfação muito grande por entrar nesse rol dos maiores atletas brasileiros em Jogos Olímpicos. Estou junto com Cesar Cielo e outros caras, e por isso eu estou muito feliz com esse resultado. Mas eu espero chegar aonde nenhum brasileiro chegou até hoje e conquistar três medalhas em uma só edição”, avisou Isaquias.

A próxima chance de pódio de Isaquias é a prova C2-1000m – ele competirá ao lado de Erlon Souza. Os dois foram medalhistas na prova nas duas últimas edições de Mundial de canoagem (bronze em Duisburg-2013 e ouro em Milão-2015).

“Vamos tentar conseguir essa medalha de ouro. No meu ponto de vista, estamos muito fortes nessa prova. Já ganhei minhas medalhas, mas agora quero que Erlon ganhe a dele e também consiga entrar para a história do Brasil nos Jogos Olímpicos”, disse Isaquias.

Com a medalha de Isaquias, o Brasil chega a 13 nos Jogos do Rio de Janeiro. São três de ouro, cinco de prata e cinco de bronze. 

Sem rim

Nascido na cidade baiana de Ubaitaba, Isaquias Queiroz começou na canoagem aos 11 anos, apenas um ano depois de perder um rim em decorrência de uma queda de árvore. O próprio canoísta brinca com o passado e diz que no lugar do rim ganhou mais um pulmão para ajudar em seu fôlego nas competições.

Apelidado de “Sem Rim”, Isaquias teve um ciclo olímpico vitorioso e ao mesmo tempo com pequenos sustos. Ganhou dois ouros e três bronzes em Mundiais, que poderiam ser mais se ele não tivesse caído da canoa nos últimos metros da categoria C1-1000m em 2014. O brasileiro liderava a prova.

Já em 2015, o susto foi fora das águas. O atleta capotou o carro quando voltava para Ubaitaba. Saiu sem nenhum arranhão e continuou a sua preparação normalmente para fazer história no Rio de Janeiro.

http://www.uol.com.br/

Bruno Doro e Guilherme Costa